Aprender um novo idioma na sala de aula tem seus desafios e distrações: o zumbido das luzes de néon, as mesas desconfortáveis, a espuma que se acumula no canto da boca do professor. Aprender uma língua fora da sala de aula também não é tão fácil. Aqui, Siôn Owen, um dos nossos colaboradores dos Diários de Aprendizes de Idiomas fez um estudo das coisas que se interpõem no caminho de suas lições.

 

Por Siôn Owen

Já que eu tenho minhas aulas de idiomas com um tutor particular, não temos o luxo de um ambiente calmo e encorajador de uma sala de aula. Além disso, as horas na biblioteca tendem a ser definidas pelos horários de limitação de crianças e idosos, e já fui expulso do salão da universidade por hackear os MBAs (longa história). E o que isso nos deixa? A amada cafeteria.

Favorito de Seattle à Singapura, a cafeteria foi gradualmente se transformando em local de encontro para os artistas locais, escritores, empresários, famílias e idiotas. Além de todas as distrações que vêm de trás do balcão – as máquinas triturando e assobiando – a combinação peculiar de cafeína e fregueses pode fazer da cafeteria uma aula de idiomas bastante desafiadora. Aqui eu apresento a vocês alguns dos personagens mais irritantes com quem você pode se deparar.

A Folgada da Mesa

Esta pequena criatura gananciosa gosta de construir seu ninho em um espaço que é grande demais para uma pessoa. Apesar de ocupar apenas um dos quatro lugares da que é indiscutivelmente a melhor mesa em todo o lugar, ela vai insistir que os outros três assentos são necessários para a sua mochila, bolsa, projeto de arte de grandes dimensões, casaco volumoso, guarda-chuva e sacolas de compras. Esses itens aparentemente desenvolveram sentimentos e ficam aborrecidos quando colocados no chão frio, duro. Como se tudo isso não fosse suficiente, ela transformou a mesa no que parece ser uma feira, com um smartphone caro, um tablet e um laptop – tudo isso executando o Facebook. Deixando de lado a invasão do espaço, pelo menos pode se consolar em saber que ela está sendo extremamente produtiva.

A Gangue

Em um dos maiores mistérios da natureza este rebanho de adolescentes chegou simultaneamente à mesma conclusão: tudo na vida é absolutamente hilário. Entre ataques incontroláveis de riso e Frappuccino, A Gangue geralmente pode ser ouvida delirando ao som de Justin Bieber ou com a última linha de moletom de grife. Para o crédito deles, são muitas vezes respeitosos o suficiente para reunir em um canto do outro lado da cafeteria, mas de alguma forma os cacarejos estridentes e ecos de palavras como “tipo” como se estivessem vindo direto do canal auditivo . Nunca antes um livro pareceu uma arma perfeita.

O sanguessuga

Este cara despretensioso é comumente encontrado sentado à mesa ao lado, teclando em seu computador. No entanto, quando a sua lição começa, você percebe pelo canto do olho que ele está frequentemente olhando por cima em sua direção. Enquanto você acha isso um tanto estranho, o que você ainda não percebeu é que ele está tramando febrilmente o momento perfeito para sabotar a sua lição. E então, quando você menos espera, ele vai inserir-se em sua conversa com um simples “Olá” em sua língua-alvo, e pisca com um sorriso grande, enquanto ele aguarda a aceitação para o seu clube. Quando ele não consegue, ele não desanima nem um pouco e continua a compartilhar a história da viagem fabulosa que ele fez 10 anos atrás e as três palavras que ele aprendeu na língua local. Não sendo o melhor em pegar dicas, você pode precisar pedir o endereço para poder enviar a conta da sua lição.

O Rato do Bate-papo

À primeira vista ele é o equivalente da cafeteria ao cara louco do metro. No entanto, após uma inspeção mais aprofundada, ele é mais parecido com o cara sozinho latindo em um fone de ouvido sem fio, o que na verdade é pior. Ele está sempre em uma conversa no Skype se divertindo loucamente, conversa composta de risos frequentes e um tom muito animado com gestos e voz exagerada. O fato da pessoa do outro lado não poder sequer ver as mãos é, aparentemente, de pouca importância. O comportamento desta personagem levanta a questão: por que ele está aqui? É difícil imaginar alguém ser capaz de pagar um MacBook Pro, mas não ter acesso à internet em casa. Ou que não pode, pelo menos, roubar o Wi-Fi de um vizinho.

O Açougueiro do Idioma

Por último, mas não menos importante, é talvez o maior criminoso de todos – eu. Eu ocupo imóveis valiosos por quase duas horas por vez e não sou, normalmente, um cliente pagante. Eu gaguejo desajeitadamente como um tolo desastrado em um idioma que os que me rodeiam não conseguem entender, o que provavelmente é chato como eles automaticamente supõem que eu esteja falando sobre eles (Eu estou). Mesmo quando eu chegar perto da fluência serei percebido como um pretensioso que quer aparecer. É uma situação perdida.

Como você pode ver, as tentativas e sofrimentos de um estudante em uma cafeteria são numerosos. Mas, apesar das frustrações, às vezes não consigo deixar de pensar: A vida não seria um pouco chata se todos nós nos déssemos bem?

 

Você pode encontrar mais posts do Siôn em nosso Diários de Aprendizes de Idiomas e em suas dicas aqui e aqui.

Siôn Owen é um autor contribuinte do Livemocha e o maior fã do mundo de “curry” e comida caribenha. Ele está aprendendo português e também adora ajudar as pessoas a aprender inglês em sua página no Facebook, Smash English. Siôn mora em Chicago, Illinois, nos EUA.